Não. Em 22 de abril de 2025 o Google anunciou que não vai mais remover os cookies de terceiros do Chrome, revertendo um plano que vinha sendo adiado desde 2020. Hoje, em 2026, Chrome e Edge, juntos 74,86% do tráfego global de navegadores, continuam permitindo cookies de terceiros por padrão. Isso não devolve ao tráfego pago a base de rastreamento que existia antes de 2020, porque Safari e Firefox já bloqueiam por padrão há anos e a IA de otimização já aprendeu a depender de outro tipo de sinal.
Essa notícia passou quase despercebida fora do círculo técnico. A maioria de quem compra mídia continua girando em torno da mesma pergunta desde 2020: quando os cookies acabam? A resposta certa em 2026 é que, para o Chrome, eles não vão acabar tão cedo.
Mas essa não é a pergunta que decide o resultado da sua conta. A pergunta que decide é outra: o seu rastreamento já funciona independente da decisão do Google sobre cookies, ou ainda depende dela? Até o fim deste texto, dá para responder isso com números, não com achismo.
O rastreamento é a base. A oferta é o que converte.
Enquanto a discussão sobre cookies continua, o funil que já converte não depende dela. O CopyClaude ajuda a estruturar a copy da sua oferta com método, para que cada clique que ainda chega valha mais.
Ver como funciona o CopyClaude →O que o Google realmente anunciou sobre os cookies em abril de 2025?
Em um post no blog oficial do Privacy Sandbox, o Google confirmou que vai manter a abordagem atual de escolha de cookies de terceiros no Chrome e não vai lançar um aviso próprio para bloqueá-los. Na prática, o navegador segue como já estava: cookies de terceiros ligados por padrão, com o usuário podendo desligar manualmente nas configurações de privacidade.
O anúncio marca o fim de um plano que o próprio Google tinha proposto em 2020. Na época, a promessa era eliminar os cookies de terceiros do Chrome até 2022, substituindo-os pelo Privacy Sandbox, um conjunto de APIs pensado para permitir segmentação e mensuração sem rastrear o usuário individualmente pela web. O prazo foi adiado várias vezes até o Google decidir, primeiro em 2024 e de forma definitiva em abril de 2025, não seguir adiante com a remoção forçada.
Parte do plano original incluía um conjunto de APIs chamado Privacy Sandbox, pensado para substituir a função dos cookies de terceiros sem expor a identidade individual do usuário. Nomes como Topics API, para segmentação por interesse, e Protected Audience API, para remarketing sem rastreamento entre sites, foram construídos justamente para preencher esse vazio quando os cookies saíssem de cena.
As APIs do Privacy Sandbox ainda funcionam?
Sim, mas deixaram de ser obrigatórias. Elas continuam disponíveis no Chrome e algumas plataformas de anúncios já testam integrações com elas, mas nenhuma conta de tráfego pago depende delas para funcionar, porque o cookie de terceiro que elas substituiriam nunca foi removido. Na prática, o Privacy Sandbox virou uma opção a mais, não a base do ecossistema.
Por que o Google recuou de um plano que ele mesmo tinha anunciado?
O próprio comunicado aponta três motivos: a adoção de tecnologias que já preservam privacidade sem depender só de cookies acelerou, novas formas de proteger a navegação com IA surgiram, e o cenário regulatório ao redor do mundo mudou bastante desde 2020.
Por trás dessa explicação também está a pressão regulatória. Reguladores como a Competition and Markets Authority do Reino Unido vinham questionando se a remoção dos cookies concentraria ainda mais poder de segmentação nas mãos do próprio Google, favorecendo Chrome e Privacy Sandbox em detrimento de concorrentes que dependiam de cookies de terceiros para competir em publicidade.
Do lado do mercado de ad tech, a adoção do Privacy Sandbox andou devagar. Empresas que já tinham investido anos migrando estrutura para as novas APIs se viram, ao mesmo tempo, competindo com concorrentes que preferiram esperar. Manter os cookies de terceiros como padrão reduziu essa pressão de curto prazo, ao custo de adiar de novo a transição que o próprio setor sabe que vai precisar fazer uma hora ou outra.
A dúvida não é mais quando os cookies acabam. A pergunta que importa agora é: o seu rastreamento continua funcionando se um navegador específico decidir bloqueá-los amanhã?
Quanto do tráfego ainda permite cookies de terceiros em 2026?
A resposta muda conforme o navegador, e a distância entre eles é grande. Segundo dados do StatCounter Global Stats de junho de 2026, Chrome e Edge, juntos, respondem por 74,86% do tráfego global de navegadores e continuam permitindo cookies de terceiros por padrão.
No desktop, o bloqueio cai para 11,49% do tráfego. No mobile, ele quase dobra, para 24,77%, quase inteiramente por causa do Safari no iPhone, que bloqueia cookies de terceiros por padrão desde a primeira versão do Intelligent Tracking Prevention.
Safari e Firefox bloqueiam cookies de terceiros desde quando?
Isso não é novidade de 2026. A Apple lançou o Intelligent Tracking Prevention (ITP) no Safari em 2017, bloqueando por padrão o rastreamento entre sites feito por cookies de terceiros. A Mozilla fez o mesmo no Firefox em 2019, com o Enhanced Tracking Protection (ETP) ativado por padrão para todos os usuários.
Ou seja, para quem compra tráfego, uma fatia relevante da audiência já navega sem cookies de terceiros há quase uma década, independente do que o Chrome decide. Essa fatia é maior no mobile do que no desktop, e isso pesa mais para quem depende de tráfego de app ou de navegador no celular.
| Navegador | Fatia do tráfego global | Cookies de terceiros por padrão |
|---|---|---|
| Chrome | ~69% | Permite (usuário pode desligar manualmente) |
| Edge | ~5% | Permite (mesma base do Chromium) |
| Safari | ~16% | Bloqueia desde 2017 (Intelligent Tracking Prevention) |
| Firefox | ~4% | Bloqueia desde 2019 (Enhanced Tracking Protection) |
Enquanto o sinal varia por navegador, a oferta precisa ser a mesma em todo lugar.
Não dá para controlar a política de cookies de cada navegador. Dá para controlar se a sua copy converte o tráfego que ainda chega limpo. O CopyClaude organiza esse processo do gancho à oferta.
Conhecer o CopyClaude →Dá para confiar só no Pixel em 2026?
Não. Mesmo com o Chrome mantendo os cookies, o rastreamento só pelo navegador continua perdendo eventos. Bloqueadores de anúncio, o modo anônimo, a App Tracking Transparency da Apple no iOS e a própria fração de navegadores que bloqueia cookies por padrão somam perdas reais.
A App Tracking Transparency (ATT) chegou com o iOS 14.5, em 2021, e passou a exigir que cada app pedisse permissão explícita antes de rastrear a atividade do usuário fora dele. Quem usa iPhone majoritariamente nega essa permissão, o que reduz o alcance do pixel independente da política de cookies do navegador, porque o bloqueio acontece uma camada abaixo, no sistema operacional.
Estimativas do setor apontam perda de 30% a 50% das conversões quando o rastreamento depende só do pixel no navegador, uma faixa que já valia antes do anúncio de abril de 2025 e continua valendo depois dele. A decisão do Google sobre cookies não fecha esse buraco, porque ele nunca foi causado só pelo Chrome.
O que muda na prática para quem faz tráfego pago agora?
Pouca coisa muda na configuração recomendada. O erro seria interpretar a notícia como sinal verde para voltar a depender só de cookies de terceiros e do pixel no navegador. Se ainda não tem certeza se a sua conta está com o sinal completo, vale conferir como Pixel e CAPI funcionam juntos antes de seguir para o próximo passo.
- Mantenha o rastreamento server-side ativo: CAPI da Meta, Enhanced Conversions do Google e Events API do TikTok continuam sendo o caminho mais estável, porque não dependem de cookie nenhum, de primeira ou de terceira parte.
- Priorize dado de primeira parte: e-mail, telefone e eventos do seu próprio site ou CRM valem mais do que qualquer cookie, porque não desaparecem quando um navegador muda de política.
- Configure o Consent Mode nas ferramentas do Google: ele ajuda a modelar conversão mesmo quando o usuário nega consentimento, preenchendo parte da lacuna que cookies bloqueados deixariam.
- Não refaça a arquitetura de rastreamento por causa dessa notícia: quem já migrou para sinal de primeira parte e CAPI não precisa reverter nada. Quem ainda não migrou, precisa migrar de qualquer forma, porque Safari e Firefox não vão mudar de posição.
- Audite o Event Match Quality e a cobertura de eventos periodicamente: independente de qual política de cookies estiver em discussão naquele mês.
Toda vez que uma plataforma grande muda de posição sobre privacidade, existe a tentação de reagir rápido e mexer em tudo. A decisão do Google sobre cookies não é motivo para isso. Ela conserva o status quo, não cria um novo.
A política de cookies de um navegador você não controla. A qualidade do sinal que sai do seu próprio funil, sim.Princípio de tráfego ScalenX
Conclusão: a decisão do Google não devolve a base antiga, e não precisa devolver
Voltando à pergunta do início: os cookies de terceiros não acabaram no tráfego pago em 2026, mas essa notícia importa menos do que parece. O Google manteve o Chrome como já estava, e Chrome e Edge somam 74,86% do tráfego global permitindo cookies por padrão. Safari e Firefox já bloqueavam antes, e vão continuar bloqueando.
Quem constrói o rastreamento em cima de dado de primeira parte, CAPI e Enhanced Conversions não muda nada com esse anúncio, porque já não dependia da política de cookies de navegador nenhum. Quem ainda depende só do pixel segue exposto à mesma perda de 30% a 50% das conversões que já existia antes de abril de 2025.
Vale lembrar que essa não é a primeira vez que o Google adia ou reverte uma decisão sobre cookies, e provavelmente não será a última. Construir a operação de tráfego em cima de uma política de navegador específica sempre foi um risco, porque essa política muda por decisão de uma empresa que não responde à sua conta de anúncios. Construir em cima de dado próprio é a única parte que continua sob o seu controle, qualquer que seja o próximo anúncio.
A base de rastreamento decide quão bem a IA da plataforma encontra quem compra. Mas é a oferta e a copy que decidem se essa pessoa, uma vez encontrada, realmente compra. Resolvida a base, o gargalo seguinte volta a ser a mensagem.




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